Pneumonia adquirida na comunidade e inibidores de bomba

Artigo:  Risk of Community-Acquired Pneumonia with Outpatient Proton-Pump Inhibitor Therapy: A Systematic Review and Meta-Analysis

Autores:  Allison A. Lambert, Jennifer O. Lam e mais

Local:  Universidad Peruana Cayetano Heredia e Johns Hopkins University

FontePLoS ONE 10(6): e0128004.

O estudo:  Os autores realizaram análise sistemática e meta-análise, procurando descobrir se há associação em uso domiciliar de inibidores de bomba e desenvolvimento de pneumonia adqurida na comunidade (PAC).

Resultados:  33 estudos foram selecionados, mas somente 26 utilizados na análise. Apesar da heterogeneidade percebida, os estudos mostraram um RR de 1,49 (1,16-1,92) nos pacientes que utilizavam inibidores de bomba. A análise de subgrupos não mostrou diferenças de ocorrência de PAC com dose do IP, tempo de tratamento ou idade do paciente.

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Comentários:O estudo parece Continuar lendo

Vitamina D e infecções osteoarticulares: um longo caminho pela frente

Artigo:  May osteoarticular infections be influenced by vitamin D status? An observational study on selected patients.

Autores:  Valentina Signori, Carlo L. Romanò e mais

Local:  Orthopedic Institute, Milan, Italy

Fonte:  BMC Musculoskeletal Disorders (2015) 16:183

O estudo:  Os autores coletaram sangue para determinação dos níveis de vitamina D de pacientes internados para realização de cirurgia ortopédica. O estudo durou 8 meses. Os autores classificaram os pacientes em quatro grupos, de acordo com a cirurgia: a) Revisão por infecção de prótese articular; b) afrouxamento asséptico da prótese; c) outras infecções osteoarticulares sem implante articular; d) outras operações.

Resultados:  Foram analisados 78 pacientes. O estudo conseguiu demonstrar que a média dos níveis de vitamina D era baixo, mas não conseguiu evidenciar diferenças entre os grupos.

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Comentários: É muito tentador achar Continuar lendo

Vaginose bacteriana e DST: uma abordagem conjunta

Artigo:  Home Screening for Bacterial Vaginosis to Prevent Sexually Transmitted Diseases

Autores:  Jane R. Schwebke, Jeannette Y. Lee e mais

Local:  Multicêntrico, EUA

Fonte:  Clinical Infectious Diseases 2016;62(5):531–6

O estudo:  A vaginose bacteriana (VB) é um desbalanço da flora vaginal, com aumento de colônias de Gardnerella vaginalis e redução de lactobacilos. Ela pode ser sintomática ou assintomática, e está associada à ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis (DST) como por exemplo a infecção por clamídia e gonococo. Os autores tentaram uma estratégia de triagem da VB e tratamento na tentativa de diminuir a ocorrência de DSTs por clamídia e shutterstock208192159gonococo. Os autores incluíram mulheres de 15 a 25 anos de idade em 10 centros, desde que tivessem tido uma relação sexual nos últimos três meses e pelo menos dois fatores de risco para DST. A VB foi classificada como sintomática ou assintomática. As mulheres fizeram triagem para BV na consulta de rotina ou através de esfregaço (swab) coletado por elas mesmas. As mulheres com VB assintomática (o que torna ético o estudo)  foram randomizadas para receber a notícia por carta e prescrição de  metronidazol, 500mgVO a cada 12h por sete dias (receita por correio ou na clínica); outro grupo não teve ciência do resultado nem recebeu prescrição. Caso a mulher já tivesse alguma DST no início do estudo, era encaminhada para tratamento e excluída do estudo. As mulheres recebiam um kit para coleta de esfregaço a cada 12 meses para análise de persistência de VB e presença de DST. O desfecho foi a detecção laboratorial de infecção por clamidia ou gonococo após o término do estudo.

Resultados:  Foram incluídas 511 pacientes com VB assintomática no braço tratamento, e 482 no controle. A incidência de infecções por clamídia ou gonococo foi de 18,3 infecções/100 pessoas-ano, sendo Continuar lendo

Eventos adversos relacionados às precauções de contato

Artigo:  Impact of contact precautions on falls, pressure ulcers and transmission of MRSA and VRE in hospitalized patients

Autores: S. Gandra a, C.M. Barysauskas, D.A. Mack, B. Barton, R. Finberg, R.T. Ellison III

Local:  Massachusetts

Fonte:  Journal of Hospital Infection 88 (2014) 170e176

O estudo:  Comparativo, analisando os indicadores: quedas e úlceras de pressão em portadores e não portadores de MRSA/VRE. Os dados foram ajustados por gravidade.O estudo também analisou (embora não fosse o objetivo principal) a taxa de colonização pelos agentes citados.

Resultados:  Foi observada uma queda progressiva na colonização, que não pode ser atribuída somente às precauções, porque foi implementado um pacote, incluindo conscientização. Esta conscientização Continuar lendo

Clostridium difficile: o inimigo em casa

ArtigoClostridium difficile infection in the community: a zoonotic disease?

Autores:  M. P. M. Hensgens, E. C. Keessen e mais

Local:  Australia e Holanda

FonteClin Microbiol Infect 2012; 18: 635–645

O estudo: Os autores revisaram sistematicamente a literatura referente a diversas fontes de aquisição da doença associada ao .C.difficile  (DACD) na comunidade.

Resultados:  Os resultados mais marcantes são
– A DACD de origem comunitária ocorre em pacientes mais jovens, mesmo sem uso de antimicrobianos (em um estudo, somente 36% dos pacientes). Os autores citam associação com doença péptica, algo que hoje sabemos que possivelmente está associado ao uso de inibidores de bomba ou eventualmente a outros medicamentos que alteram o pH do estômago.

– Os ribotipos mais associados à doeça de origem comunitária foram o 078 e o 001, já nas infecções nosocomiais foi o 027.

Relação com animais domésticos: 39,5% dos cães e gatos Continuar lendo

Coinfecção HIV-HCV: qual o melhor antirretroviral (ARV)?

Artigo:  Progression of Liver Fibrosis and Modern Combination Antiretroviral Therapy Regimens in HIV-Hepatitis C–Coinfected Persons

Autores:  Laurence Brunet, Erica E. M. Moodie e mais

Local:  The Canadian Co-infection Cohort (CCC)

Fonte: Clinical Infectious Diseases 2016;62(2):242–9

O estudo:  Os autores estudaram, em coorte a progressão da doença hepática de acordo com o esquema de ARV utilizado. O critério de progressão foi o escore APRI. Eles compararam os esquemas “âncora” (PI  ou NNRTI) e também os esquemas de suporte, ou “backbone” (TDF/FTC ou ABC/3TC). Somente foram analisados pacientes que estiveram no mesmo esquema de ARV até o estudo. Foram excluídos os HBV positivos e aqueles com uso prévio de dideoxinucleosideos.

Resultados:  Os resultados foram analisados através de dois modelos multivariados, estimando-se a progressão para fibrose segundo o escore APRI. O escore apresentou maior elevação nos pacientes que receberam inicialmente um PI (11% em 5 anos).  Nos usuários de NNRTI foi inferior, com limite de confiança Continuar lendo

Oseltamivir na gestação

Artigo:  The safety of oseltamivir in pregnancy: an updated review of postmarketing data

Autores:  Martina Wollenhaupt, Abhijeeth Chandrasekaran e Danitza Tomianovic

Local:  F. Hoffmann-La Roche Ltd, Basel, Suiça

flulengthened-c67edec1e228dd09bc1cbbfdc25fbc170b283bfa-s800-c85Fonte: Pharmacoepidemiology and drug safety 2014; 23: 1035–1042

O estudo:  O estudo é um compilado dos registros do Roche Global Safety Database, um acompanhamento pós-marketing visando determinação da segurança.

Resultados:  Os resultados mostram que a droga é segura na gestação. Foram registradas 2926 mulheres. A incidência de aborto Continuar lendo

As complicações da Hepatite C: quantificando riscos.

Artigo:  All-Cause Mortality and Progression Risks to Hepatic Decompensation and Hepatocellular Carcinoma in Patients Infected With Hepatitis C Virus

Autores:  Fujie Xu, Anne C. Moorman, e mais

Local: Quatro sistemas de saúde integrados nos EUA

Fonte: Clinical Infectious Diseases 2016;62(3):289–97

O estudo: Os autores realizaram um coorte com dados de quatro sistemas integrados de saúde, analisando as evoluções de pacientes portadores do vírus da hepatite C (HCV) e que hcv1realizaram biópsia hepática nos anos de 2011 e 2012. Eles analisaram e estimaram as probabilidades de evolução da doença em 1, 2 e 5 anos. As evoluções analisadas foram transplante de fígado, hepatocarcinoma, descompensação de doença hepática.  Estes desfechos foram analisados de acordo com a classificação METAVIR obtida na biópsia (F0-F4).

Resultados:  9912 portadores Continuar lendo

Qual é o melhor antisséptico para as cesarianas?

Artigo   A Randomized Trial Comparing Skin Antiseptic Agents at Cesarean DeliveryAntibiotics - Medical Concept. Composition of Medicamen.

Autores: Methodius G. Tuuli,  Jingxia Liu, e mais

Local:  EUA

FonteNEJM  February 4, 2016

O estudo:  Partindo do pressuposto que a infecção do sítio cirúrgico (ISC) ocorre em 2-5% das pacientes após a cesariana, e que a antissepsia é um dos fatores de prevenção, os autores compararam o uso de clorexidina alcoolica x PVP-I alcoolico. Estudo randomizado (1:1), com seguimento por 30 dias após a cesariana, por via telefônica. Desfecho utilizado foi a ISC, segundo critérios do CDC.

Resultados:  572 pacientes foram incluídas no grupo clorexidina e 575 no Continuar lendo

Surtos de Caxumba apesar da vacinação

Apesar das campanhas vacinais e altas taxas de cobertura, não é infrequente o diagnóstico de Parotidite causada pelo vírus da Caxumba, assim como a observação de surtos, especialmente em jovens e adultos jovens. Curiosamente, alguns destes surtos ocorreram em populações altamente vacinadas. O que explica?

Eficácia da vacina

4213mumps1Existem dois benefícios da vacinação: a proteção direta do vacinado, e a proteção através da imunidade de rebanho que, por mecanismos distintos, diminui a circulação do vírus reduzindo, a depender do grau de cobertura, a transmissão de forma mais ou menos intensa.

No caso do vírus da Caxumba, existem dois tópicos a serem abordados:

a) O diagnóstico da Caxumba muitas vezes é imperfeito. A Caxumba não é a única causa de Parotidite, e Continuar lendo