Luvas de látex com talco: posição do FDA

latex20powdered20non20sterileNos últimos anos, cada vez mais observamos o uso de luvas que já são fabricadas com talco, no intuito de se facilitar o uso. No dia 21/03/2016 o Food and Drug Administration (FDA) propôs o banimento destas luvas. Os eventos adversos que levaram a esta proposta foram:

  • Inflamação das vias aéreas
  • Inflamação da ferida
  • Aderências pós-operatórias.

Esta proposta ainda está sob avaliação, mas de toda forma, em caso de uso, é importante a vigilância estrita visando a observação de possíveis eventos adversos.

 

Sushi or not sushi?

Artigo:  Infections from Eating Raw or Undercooked Seafood

Autores:  Alice Schauer Weissfeld

Local:  Microbiology Specialists Incorporated, Houston, Texas

Fonte: Clinical Microbiology Newsletter 36:3,2014

A revisão e comentários:  Esta pequena revisão visa elucidar o que existe hoje com relação a produtos marinhos crus ou mal cozidos, como sushis e sashimis. Antes de entrar nos riscos, a autora tece alguns comentários:

– Epidemiologia: Nos EUA estima-se que ocorram anualmente 76 milhões de casos doenças transmitidas através de alimentos. Alimentos marinhos respondem por 10-19% dos casos. O agente é identificado em 44% dos episódios, sendo que metade destes são relacionados a algum vírus. sushi.jpg

– Os tipos de agentes relacionados ao consumo de peixes crus de água doce são diferentes daqueles de água salgada, assim como moluscos e crustáceos.

– Moluscos são particularmente complicados, porque eles filtram a água, retêm e concentram microrganismos.

Doenças transmitidas por mariscos

– Norovírus – um dos principais causadores de Continuar lendo

Três pontos sobre a vacina da dengue

Após anos de espera, chega uma vacina para dengue. Para melhor compreendê-la, algunas tópicos são importantes para discussão.

 

 

Quatro sorotipos e diversidade: uma vacina?

Os flavivírus em geral são vírus estáveis do ponto de vista genético. Dentre eles, o vírus da dengue é o que mais apresenta variabilidade. Há uma divergência de aproximadamente 40% entre as sequências de aminoácidos dentre os sorotipo, e cerca de 9% de mismatch dentre cada um dos sorotipos. Esta variabilidade prejudicaria o desempenho da vacina?

Uma parte da compreensão (ainda incompleta) deste assunto está na identificação da resposta induzida pela vacina, em particular daquela feitas a partir de vírus vivos atenuados. Existe uma resposta de anticorpos após imunização, em maior quantidade contra prM e NS1, mas estes anticorpos são não neutralizantes.  Há também estímulo à produção de anticorpos contra a proteína E, estes, sim, neutralizantes. O curioso é que, em ensaios clínicos, percebe-se alguma dissociação entre a produção de anticorpos e a proteção cínica e a soroconversão.  O papel da células T no Continuar lendo

Diagnóstico laboratorial da infecção aguda pelo Zika Virus

aj__nd3cEm recente recomendação de fevereiro de 2016, o CDC alerta sobre os seguintes tópicos referentes ao diagnóstico da infecção causada pelo Zika Vírus:

  1. Nos 7 primeiros dias de doença, o RT-PCR apresenta maior sensibilidade para detecção de flavivírus, ou a pesquisa do antígeno NS1 através de ELISA, especificamente no caso do vírus da dengue.
  2. A sorologia pode ser coletada a partir do 4o. dia do início dos sintomas, mas é mais sensato aguardar o 7o. dia.
  3. IgM persiste positivo por 2 a 12 semanas.IgM negativo 2 a 12 semanas após viagem para região de risco indica que não houve contágio.
  4. A interpretação de resultados positivos, em especial do IgM deve ser cautelosa, pois há reatividade cruzada com outros flavivírus, inclusive o vírus da dengue.

 

 

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Dose do antiviral no tratamento do herpes zoster

Artigo:  Higher dose versus lower dose of antiviral therapy in the treatment of herpes zoster infection in the elderly: a matched retrospective population-based cohort study

Autores:  Ngan N Lam, Jamie L Fleet, Eric McArthur, Peter G Blake e Amit X Garg

Local:  Western University, London

Fonte:  BMC Pharmacology and Toxicology 2014, 15:48

O estudo: Os autores realizaram um coorte retrospectivo baseado nos registros computadorizados do sistema de saúde, comparando uso de aciclovir em dose alta (n=23256) e dose baixa (n=3876). Os desfechos observados foram: Primário – hospitalização em 30 dias com CT sugerindo neurotoxicidade; Secundário – óbito por qualquer causa em trinta dias. Foram analisados subgrupos (IRC, sexo, idade, antiviral).

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Resultados:  A incidência de neurotoxicidade foi Continuar lendo

Precauções de contato para MRSA: tirando o avental

Artigo:  Degowning the controversies of contact precautions for methicillin-resistant Staphylococcus aureus: A review

Autores:  Ravina Kullar,Angela Vassallo, Teena Chopra, Keith S. Kaye, Sorabh Dhar

Local:  EUA

Fonte:  American Journal of Infection Control 44 (2016) 97-103

A revisão: O artigo é uma revisão sistemática sobre a efetividade das precauções de contato sobre a colonização por MRSA.

Efeitos sobre a colonização por MRSA e desfechos em pacientes com precauções de contato

Os autores afirmaram que há evidência da efetividade em situações de surtos ou de alta adesão), mas criticaram os resultados, dizendo que durante um surto as precauções de contato não são as únicas intervenções (ou variáveis) potencialmente determinantes de resolução. Em situações de ‘normalidade’, ou seja, Continuar lendo

Pneumonia adquirida na comunidade: monoterapia com β–lactâmico?

Artigo:  Antibiotic Treatment Strategies for Community-Acquired Pneumonia in Adults

Autores:  Douwe F. Postma, Cornelis H. van Werkhoven, e  the CAP-START Study Group

Local:  Multicêntrico, Holanda

Fonte:  N Engl J Med 2015;372:1312-23

O estudo:  O estudo teve como alvo a avaliação da necessidade ou não da cobertura de agentes atípicos (com macrolídeo ou quinolona), associado a um β–lactâmico. O desenho foi prospectivo, e o critério de inclusão foi o de adultos com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) com escore CURB-65>2. Durante o estudo, a cada 4 meses o esquema de eleição das instituições era alterado: monoterapia com β–lactâmico (período 1), β–lactâmico+macrolídeo (período 2), monoterapia com quinolona (período 3). O desfecho primário foi mortalidade em 90 dias, por qualquer motivo. Os desfechos secundários foram tempo de hospitalização, tempo para troca para medicação oral, e detecção de complicações durante a hospitalização.

Resultados:  Durante o período 1 foram incluídos 656 pacientes, 739 durante o período 2 e 888 durante o período 3.  A mortalidade em 90dias foi, respectivamente, (59 pacientes), 11.1% (82 pacientes), e 8.8% (78 pacientes). Comparando as três estratégias, não foi demonstrada inferioridade da monoterapia com β–lactâmico, quando comparado com os demais esquemas. Esta afirmação serve tanto para o desfecho primário, como para os secundários.

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Comentários: A literatura referente a este assunto em geral tende a mostrar Continuar lendo

Uma hora de sepse

Artigo:  The Impact of Timing of Antibiotics on Outcomes in Severe Sepsis and Septic Shock: A Systematic Review and Meta-Analysis

Autores:  Sarah A. Sterling, W. Ryan Miller,Jason Pryor, Michael A. Puskarich, Alan E. Jones

Local: Department of Emergency Medicine, University of Mississippi School of Medicine

Fonte:  Critical Care Medicine  2015 Sep;43(9):1907-15.

O estudo:  Os autores realizaram uma mata-análise investigando a associação entre o uso de antimicrobiano em 1h após diagnóstico de sepse grave e mortalidade. De 1115 estudos sepsislevantados com as palavras-chave, foram separados 11 para análise.

Resultados:  Eles analisaram o impacto da antibioticoterapia, segundo as recomendações, 1h após o estabelecimento do choque séptico, ou 3h após a triagem Continuar lendo

Quantificação do risco de malformações em gestantes com infecção aguda causada por Zika Vírus

Artigo: Zika Virus Infection in Pregnant Women in Rio de Janeiro — Preliminary Report

Autores:Patrícia Brasil,  Jose P. Pereira, Jr., e mais

Local: Rio de Janeiro

Fonte: The new england journal of medicine 04/03/2016

Estudo: Este é o primeiro estudo epidemiológico publicado analisando os riscos da infecção pelo Zika Virus durante a gestação. Os autores seguiram 88 mulheres com diagnóstico de febre aguda durante a gestação, de setembro de 2015 a fevereiro de 2016. 72 (82%) tiveram diagnóstico de infecção pelo Zika Vírus. 37 apresentaram exantema. Com relação à semana de gestação, 17 estavam com <13 semanas, 38 entre 13 e 26 semanas e 17 entre 26 e 39 semanas de gestação.

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42 mulheres concordaram em fazer ultrassonografia para avaliação de possíveis malformações.  12(29%) apresentavam alterações ultrassonográficas:

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Um dos fetos apresentava calcificações cerebrais, mesmo a infecção tendo ocorrido na 27a. semana de gestação.

Comentários: A análise  epidemiológica de riscos é a principal ferramenta para dimensionarmos o tamanho de um certo problema.

O risco de malformação durante a gestação aqui parece assustar. Mas vamos lembrar: trata-se de um coorte com pacientes sintomáticas. O citomegalovírus está associado a um risco de malformações que varia de 2 a 5%, mas incluindo as soroconversões assintomáticas.

Este estudo, que posteriormente será lapidado por sucessores com maior tamanho amostral, e sem a pressão da necessidade, mostra um risco que não é desprezível e que justifica todas as medidas de saúde pública que estão sendo adotadas, e ainda mais.

Desospitalização de pacientes com infecções de pele e partes moles

Artigo:  Predictors of Failure of Empiric Outpatient Antibiotic Therapy in Emergency Department Patients With Uncomplicated Cellulitis

Autores:  Daniel Peterson, Shelley McLeod e mais

Local:  The University of Western Ontario e Department of Emergency Medicine, University of Calgary, Canada

Fonte: ACADEMIC EMERGENCY MEDICINE 2014;21:526–531

O estudo:  Os autores analisaram pacientes que tiveram diagnóstico de celulite em serviços de emergência. Os pacientes foram classificados em três grupos: 1) Infecção grave, requerendo internação (pacientes excluídos do estudo); 2) infecções menores que receberam terapia VO a nível ambulatorial; 3) pacientes que ficaram no hospital por 24h, sendo desospitalizados em seguida para continuidade de tratamento por via parenteral, domiciliar. O critério de diagnóstico, escolha de antimicrobiano e via foi feita pelo médico assistente. O desfecho utilizado foi a falha terapêutica, definida como necessidade de internação após desospitalização, ou troca do antimicrobiano.

Resultados:  497 pacientes foram analisados. As taxas de falha foram 21,1% dos 185 pacientes que receberam VO, 27,2% daqueles 81 que receberam a primeira dose EV e continuaram o tratamento por via oral e 17,7% de 231 pacientes que mantiveram todo o tratamento por via EV.opatc Os esquemas utilizados foram diversos, mas todos forneciam cobertura apropriada para estreptococos e estafilococos (por exemplo, nenhum caso de tratamento em monoterapia com ciprofloxacina ou aminoglicosídeo, Continuar lendo