Arquivo da categoria: Infecções em terapia intensiva

qSOFA ou SIRS?

Artigo: Comparison of qSOFA score and SIRS criteria as screening mechanisms for emergency department sepsis

sepsis checklistAutores: Haydar S, e mais

Local: Tufts University School of Medicine,  Portland,  United States

Fonte:American Journal of Emergency Medicine (2017)

Estudo: Este pequeno estudo procura comparar os critérios qSOFA e SIRS para uso no protocolo de sepse. Continuar lendo

Mortalidade associada às infecções causadas por P.aeruginosa: virulência ou severidade das condições subjacentes?

ArtigoLong-term mortality following Pseudomonas aeruginosa bloodstream infection

 

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AutoresK.L. McCarthy, D.L. Paterson

 

LocalUniversity of Queensland, UQ Centre for Clinical Research, Brisbane, Australia

FonteJournal of Hospital Infection 95 (2017) 292299

Estudo: Coorte retrospectivo avaliando pacientes com bacteremia causada por P. aeruginosa, no intuito de se avaliar a seguinte questão: as infecções causadas por P.aeruginosa são mais agressivas ou são marcadores de gravidade do paciente? Os autores analisaram 388 episódios de bacteremia.

Resultados: AA mortalidade por todas as causas foi de 4% em 48 h, 11% em sete dias, 19% em um mês e 38% em um ano.  In conclusion, the longitudinal all-cause mortality of
P. aeruginosa BSI increased over time. A mortalidade precoce se mostrou associada a comorbidade pulmonar, corticoide recente, escore de Pitt aumentado e aquisição ‘comunitária’. Já em um ano, a mortalidade se mostrou associada à neoplasia hematológica e uso de corticoides. 

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Comentários: Esta discussão é difícil de ser avaliada. Os pacientes com bacteremia causada por P. aeruginosa apresentam maior taxa de letalidade porque a infecção é grave, a bactéria agressiva, ou porque o paciente já estava muito grave, com risco de óbito e a infecção foi somente um marcador, um evento desencadeador do desfecho? Obviamente o objetivo desta discussão não é diminuir a intensidade nas medidas de prevenção, mas sim compreender o significado e as ações necessárias no tratamento desta bacteremia. Este estudo sugere, principalmente pela mortalidade crescente com o tempo, que a bacteremia causada pela P. aeruginosa é um marcador de condições graves, o que foi reforçado pelos fatores de risco encontrados.

Tigeciclina ou sulbactam para o tratamento de pneumonia causada pelo Acinetobacter?

Artigo:Tigecycline-based versus sulbactam-based treatment for pneumonia involving
multidrug-resistant Acinetobacter calcoaceticus-Acinetobacter baumannii
complex

000050-237x237Autores: Jung-Jr Y e mais

Local: Taiwan

FonteBMC Infectious Diseases (2016) 16:374

Estudo: O Acinetobacter é um patógeno característico das infecções hospitalares, que ganhou grande relevância a partir dos anos 90, quando parrou a ganhar grande destaque nas infecções em UTI, em especial nas pneumonias associadas à ventilação mecânica. Suas duras principais características de destaque são: a. São naturalmente multirresistentes (sem serem mais virulentas), e desenvolveram resistência aos carbapenêmicos muito rapidamente. b. Ao contrário dos demais bacilos gram-negativo, seus reservatórios não se limitam a ambientes líquidos, ele pode permanecer viável em superfícies secas (inclusive cortinas que separam leitos de UTI) por períodos prolongados. O sulbactam (no Brasil associado à ampicilina) foi uma das principais alternativas ao tratamento sempre difícil desta bactéria. Outras alternativas são carbapenêmicos e polimixina. Mais recentemente a tigeciclina entrou no rol das possibilidades.  Os autores conduziram um estudo retrospectivo comparando 84 pacientes que utilizaram sulbactam com 84 que utilizaram tigeciclina no tratamento da pneumonia causada por esta bactéria.

Foram incluídos pacientes com quadro clínico de pneumonia e cultura do Continuar lendo

Colistina em dose alta

Artigo:  The Effectiveness and Safety of High-Dose Colistin: Prospective Cohort Study

14t0aybAutoresYael Dishon Benattar  e mais

Local: Israel

FonteClinical Infectious Diseases 2016;63(12):160512

Estudo: Os autores utilizaram dados de dois coortes prospectivos que realizaram, um comparando a colistina com outro betalactâmicos, outro avaliando posologia. Os autores compararam a dose tradicional de  36 MIU por dia, sem dose de ataque, com o esquema de  9 MIU (dose de ataque) seguido de 4,5 MIU a cada doze horas (1 MIU = 30 mg colistina base). Ajuste de dose após início de tratamento foi permitido, mantendo-se a proporcionalidade da dose.

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Endocardite: Guideline AHA/IDSA

 

Artigo:Infective Endocarditis in Adults: Diagnosis, Antimicrobial Therapy, and Management of Complications.

e1e56dc182c19b19759a1baa577c9362Autores: Larry Baddour e mais

Local: American Heart Association ratificada pela Infectious Diseases Society of America.

Fonte: Circulation. 2015;132:1435-1486.

Comentários sobre o guideline: A endocardite bacteriana é uma infecção grave, de manejo complexo, um dos maiores capítulos de qualquer tratado de cardiologia ou infectologia. Um guideline significativo, ainda que não abordando todos os aspectos me detalhes da doença, é sempre bem vindo.

Diagnóstico

A modificação mais improtante foi a Continuar lendo

Sepse além dos protocolos

Artigo: The association between time to antibiotics and relevant clinical outcomes in emergency department patients with various stages of sepsis: a prospective multi-center study

tiogmqbl1Autores:  Bas de Groot, Annemieke Ansems e mais

Local:  Leiden University Medical Center, Holanda

Fonte: Critical Care (2015) 19:194

O estudo:  Estudo multicêntrico, prospectivo, buscando analisar o impacto da antibioticoterapia imediata em sepse, de acordo com a gravidade. Esta foi avaliada através do Escore PIRO: 1 a 7 pontos, leve, 8-14 pontos, intermediária e >14 pontos, grave. O desfecho primário foi o número de dias fora do hospital em 28 dias após o diagnóstico (que reflete mortalidade e tempo de permanência hospitalar – quanto maior o tempo, menor a mortalidade ou tempo de hospitalização) e o desfecho secundário foi a mortalidade no 28º. dia após o diagnóstico.  Também foi analisado o acerto de espectro de cobertura.

Resultados:  Através da análise multivariada de Cox, os autores chegaram à conclusão que não houve benefício do rápido início de antibioticoterapia nos pacientes com sepse “leve” ou intermediária, escore de Piro <14 pontos. O acerto da cobertura antimicrobiana foi Continuar lendo

Sepse pós-esplenectomia

Artigo: Overwhelming Postsplenectomy Infection: A Prospective Multicenter Cohort Study

Autores: Christian Theilacker e mais

Local:Splenectomy, Pneumococcus, and Fulminant Infection (SPLEEN OFF) Study Group – Alemanha

Fonte:Clinical Infectious Diseases 2016;62(7):871–8

x26eixvo_400x400O estudo:Estudo de coorte realizado em 173 UTIs alemãs, incluindo paciente com  sepse grave/choque séptico, comparando as características daqueles com asplenia ou presença de baço. A partir do coorte, foram pareados 52 pacientes com sepse e asplenia (remoção ou funcional), e 52 com sepse sem asplenia. Já nas características dos pacientes observam-se diferenças entre os grupos, o que é natural. O IMC de asplênicos foi mais baixo (24kg/m2 [22–27] x 28kg/m2 [23–34]), história de neoplasia e vacinação pévia para pneumococo e Haemophyllus influenzae B.

Resultados: Os estudos mostram algumas características que diferenciam a sepse em asplênicos e não asplênicos. Entre as apresentações clínicas, mostraram-se mais frequentes nos asplênicos a sepse sem foco Continuar lendo

Recomendações para antibioticoterapia no trauma

Artigo: Systematic Review of the Literature and Evidence-Based Recommendations for Antibiotic Prophylaxis in Trauma: Results from an Italian Consensus of Experts

feature_traumaAutores: Daniele Poole, Arturo Chieregato e mais

Local: Italia

Fonte: PlosOne 2014;9(11): e113676

Recomendações: A antibioticoprofilaxia em trauma muitas vezes é recmendada tendo como base a “experiência pessoal”, o “risco dos pacientes” e as “condições higiênicas” do trauma.

Os autores foram muito felizes ao  propor esta revisão sistemática, ainda que limitada, mas tiveram o cuidado de mostrar que muitos destes pacientes ficarão expostos a riscos de infecção (procedimentos invasivos, permanência em UTI) por tempo prolongado, e após certo tempo de uso, o risco associado à antibioticoterapia suplantará os benefícios.

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Sua revisão teve grande Continuar lendo

É preciso fazer cobertura para Listeria no tratamento empírico da meningite?

Artigo: Meningitis por Listeria monocytogenes en adultos

Autores: Pedro Laguna-Del Estal, Gemma M. Lledó-Ibáñez, Roberto Ríos-Garcés, Ilduara syringe-128Pintos-Pascual

Local: Espanha

FonteRev Neurol 2013 56(1): 13-18.

Estudo: Uma revisão retrospectiva de fatores de risco para meningite causada por Listeria monocytogenes (ML) em adultos de 1982 a 2011. O grupo controle foi composto de pacientes com meningite purulenta não causada pela Listeria (MnL) neste período.

Resultados: Foram recuperados registros de 16 ML e 87 MnL. As características epidemiológicas das duas meningites são diferentes, como esperado. A Listeria é mais encontrada em idosos e imunocomprometidos. As características do líquido cefalorraquidiano Continuar lendo

Novos conceitos em infecções urinárias complicadas

O Guideline da European Urology Association é um dos mais completos sobre infecção C_Diff_Infectionurinária, e o que traz de mais importante é a organização da informação nas infecções complicadas. Estas infecções são frequente mal definidas, e cada autor ou médico costuma definir de forma particular (infecções em imunodeprimidos, em pacientes graves, acompanhada de sepse, na presença de fator modificável, bactéria resistente, etc.).

Na verdade uma definição completa e aplicável do que seja uma infecção urinária complicada é impossível. Por isto, nesta recomendação, a Sociedade Europeia de Urologia prefere orientar que se procure os fatores complicantes, e para cada grupo, diagnósticos e condutas são particularizados.

Os critérios para esta avaliação são:

  1. Apresentação clínica
  2. Gravidade
  3. Fatores de risco ORENUC
  4. Resistência da bactéria

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