Arquivo da categoria: Infecções em serviço de urgência

Oseltamivir, pra que te quero?

Artigo:  Oseltamivir for influenza in adults and children: systematic review of clinical study reports and summary of regulatory comments

Autores: Tom Jefferson, Mark Jones, Peter Doshi, Elizabeth A Spencer, Igho Onakpoya, Carl J Heneghan

Local: Cochrane Collaboration, Italia

Fonte:  BMJ 2014;348:g2545

A revisão sistemática:  A pergunta é: qual o benefício do uso de oseltamivir nos casos de influenza? Nos estudos abordando tratamento com oseltamivir, houve redução no tempo de sintomas (16,7 horas), pronunciado no caso de crianças saudáveis e inexistente nas asmáticas. As complicações graves não foram prevenidas (hospitalização e pneumonia, esta última analisada em detalhe a partir de 5 estudos específicos). Quando o diagnóstico da pneumonia foi guiado pelo observador, o risco de pneumonia naqueles com uso de oseltamivir foi reduzido (OR=0,55).

Nos estudos abordando prevenção com oseltamivir, a Continuar lendo

Marcadores inflamatórios: a evidência

Artigo: Acute Phase Reactants in Infections: Evidence-Based Review and a Guide for Clinicians

Autores:  Anurag Markanday

biomarkerLocal:  British Columbia, Canada

Fonte:  Open Forum Infectious Diseases 2015

A revisão:  O autor revê a utilização de VHS, PCR e procalcitonina em diversas situações específicas, resumidamente transcrita em tabelas. Os resultados mostram que os biomarcadores podem diminuir o consumo de antimicrobianos, especialmente relacionado à duração de terapia, como exposto na tabela 2, que analisa a terapia guiada por procalcitonina.. No caso da pneumonia, alguma evidência quanto à redução de indicação. O mesmo não ficou tão bem estabelecido para sepse.

Comparando a  sensibilidade e especificidade para diagnóstico de infecção bacteriana da procalcitonina, o autor cita os seguintes resultados:

Diagnóstico de infecção bacteriana Sensibilidade Especificidade
Procalcitonina 0,88 (0.80–0.93) 0.81 (0.67–0.90)
Proteína C reativa 0.75 (0.62–0.84) 0.67 (95% CI, 0.56–0.77)

Uma especificidade de 81%, como observada na procalcitonina, pode ser considerada Continuar lendo

Que máscara usar para prevenção da Influenza?

Artigo: Surgical Mask vs N95 Respirator for Preventing Influenza Among Health Care Workers.

Autores: Mark Loeb; Nancy Dafoe; James Mahony; e mais.

Local: Canada

Fonte: JAMA. 2009; 302(17): 1865-1871.

3m-8210-n95-disposable-particulate-respirator-masksO estudo: Foi realizado em 8 hospitais terciários de Ontario, Canada. 446 enfermeiros de Serviços de Emergência, UTI e Unidades Clínicas e Pediátricas. 446 enfermeiros foram randomizxados para usar máscaras cirúrgicas ou respiradores N95. Segundo protocolo local da época (Devido ao surto de SARS) os profissionais deveriam utilizar máscaras caso se aproximassem <1m de pacientes com doenças febris agudas, ou síndromes respiratórias agudas. O desfecho primário foi o desenvolvimento de infecção por Influenza, comprovada laboratorialmente. Os desfechos secundários foram a detecção de outros vírus respiratórios.

Resultado: 225 enfermeiros foram randomizados para utilizar máscaras cirúrgicas e 221
para respiradores N95. Os resultados indicaram que a proteção conferida Continuar lendo

Corticóides para pneumonia

Artigo:   Corticosteroid Therapy for Patients Hospitalized With Community-Acquired Pneumonia A Systematic Review and Meta-analysis

Autores:  Reed A.C. Siemieniuk,; Maureen O. Meade e mais

Fonte:   Ann Intern Med. 2015;163:519-528.

annals-im-logo1O estudo:  Os autores revisaram a literatura e realizaram meta-análise tentando associar a terapia adjuvante com corticoides na pneumonia adquirida na comunidade (PAC) e seus impactos na mortalidade, morbidade e duração de hospitalização. Eles incluíram estudos que avaliaram tratamento de pneumonia (com exceção de hospitalar, aspirativa, P.jirovecii e estudos que analisaram somente DPOC).

Resultados:  Os autores encontraram 3281 artigos, mas tiveram que fraciona-los porque muitos deles estudaram um desfecho importante para a análise sistemática, mas não outros igualmente relevantes. Assim, para cada desfecho específico, poucos estudos foram incluídos (em geral 5 a 7). Além disto, especialmente nos ensaios ligados a estudos Continuar lendo

Qual é a gravidade da infecção causada pelo Influenza A H1N1?

Após a pandemia de 2009, muitos conceitos ficaram marcados com relação à gripe causada pelo vírus Influenza A H1N1. O que observamos é a ideia de que que a infecção causada pelo H1N1 é mais grave que aquela causada pelos demais vírus. Se por um ponto há algo positivo, que passamos a elencar o vírus influenza como um causador de doenças graves, e não somente uma “pequena gripe” ou “resfriado”, por outro lado ainda mantemos a ideia de que necessitamos de áreas especiais de isolamento e que somente o H1N1 deve ser pesquisado nas doenças graves.  O que há de verdade nestes conceitos?

O que há de especial no H1N1?

Em primeiro lugar vamos lembrar resumidamente das mutações do vírus que Influenza, que são as maiores, mas não únicas, determinantes da gravidade.

flulengthened-c67edec1e228dd09bc1cbbfdc25fbc170b283bfa-s800-c85Um vírus circulante, por exemplo um H3N2, sofre anualmente algumas poucas variações, mutações chamadas de “drift”. Muitos indivíduos já foram expostos a este vírus circulante. Quando entram em contato com uma variante “drift” do mesmo vírus, possuem defesas parciais. Desta forma, adquirem o vírus, manifestam infecção (gripe, influenza), mas a proteção parcial reduz muito o risco de doença grave. Por isto, Continuar lendo

Diagnóstico laboratorial da infecção aguda pelo Zika Virus

aj__nd3cEm recente recomendação de fevereiro de 2016, o CDC alerta sobre os seguintes tópicos referentes ao diagnóstico da infecção causada pelo Zika Vírus:

  1. Nos 7 primeiros dias de doença, o RT-PCR apresenta maior sensibilidade para detecção de flavivírus, ou a pesquisa do antígeno NS1 através de ELISA, especificamente no caso do vírus da dengue.
  2. A sorologia pode ser coletada a partir do 4o. dia do início dos sintomas, mas é mais sensato aguardar o 7o. dia.
  3. IgM persiste positivo por 2 a 12 semanas.IgM negativo 2 a 12 semanas após viagem para região de risco indica que não houve contágio.
  4. A interpretação de resultados positivos, em especial do IgM deve ser cautelosa, pois há reatividade cruzada com outros flavivírus, inclusive o vírus da dengue.

 

 

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Pneumonia adquirida na comunidade: monoterapia com β–lactâmico?

Artigo:  Antibiotic Treatment Strategies for Community-Acquired Pneumonia in Adults

Autores:  Douwe F. Postma, Cornelis H. van Werkhoven, e  the CAP-START Study Group

Local:  Multicêntrico, Holanda

Fonte:  N Engl J Med 2015;372:1312-23

O estudo:  O estudo teve como alvo a avaliação da necessidade ou não da cobertura de agentes atípicos (com macrolídeo ou quinolona), associado a um β–lactâmico. O desenho foi prospectivo, e o critério de inclusão foi o de adultos com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) com escore CURB-65>2. Durante o estudo, a cada 4 meses o esquema de eleição das instituições era alterado: monoterapia com β–lactâmico (período 1), β–lactâmico+macrolídeo (período 2), monoterapia com quinolona (período 3). O desfecho primário foi mortalidade em 90 dias, por qualquer motivo. Os desfechos secundários foram tempo de hospitalização, tempo para troca para medicação oral, e detecção de complicações durante a hospitalização.

Resultados:  Durante o período 1 foram incluídos 656 pacientes, 739 durante o período 2 e 888 durante o período 3.  A mortalidade em 90dias foi, respectivamente, (59 pacientes), 11.1% (82 pacientes), e 8.8% (78 pacientes). Comparando as três estratégias, não foi demonstrada inferioridade da monoterapia com β–lactâmico, quando comparado com os demais esquemas. Esta afirmação serve tanto para o desfecho primário, como para os secundários.

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Comentários: A literatura referente a este assunto em geral tende a mostrar Continuar lendo

Uma hora de sepse

Artigo:  The Impact of Timing of Antibiotics on Outcomes in Severe Sepsis and Septic Shock: A Systematic Review and Meta-Analysis

Autores:  Sarah A. Sterling, W. Ryan Miller,Jason Pryor, Michael A. Puskarich, Alan E. Jones

Local: Department of Emergency Medicine, University of Mississippi School of Medicine

Fonte:  Critical Care Medicine  2015 Sep;43(9):1907-15.

O estudo:  Os autores realizaram uma mata-análise investigando a associação entre o uso de antimicrobiano em 1h após diagnóstico de sepse grave e mortalidade. De 1115 estudos sepsislevantados com as palavras-chave, foram separados 11 para análise.

Resultados:  Eles analisaram o impacto da antibioticoterapia, segundo as recomendações, 1h após o estabelecimento do choque séptico, ou 3h após a triagem Continuar lendo

Desospitalização de pacientes com infecções de pele e partes moles

Artigo:  Predictors of Failure of Empiric Outpatient Antibiotic Therapy in Emergency Department Patients With Uncomplicated Cellulitis

Autores:  Daniel Peterson, Shelley McLeod e mais

Local:  The University of Western Ontario e Department of Emergency Medicine, University of Calgary, Canada

Fonte: ACADEMIC EMERGENCY MEDICINE 2014;21:526–531

O estudo:  Os autores analisaram pacientes que tiveram diagnóstico de celulite em serviços de emergência. Os pacientes foram classificados em três grupos: 1) Infecção grave, requerendo internação (pacientes excluídos do estudo); 2) infecções menores que receberam terapia VO a nível ambulatorial; 3) pacientes que ficaram no hospital por 24h, sendo desospitalizados em seguida para continuidade de tratamento por via parenteral, domiciliar. O critério de diagnóstico, escolha de antimicrobiano e via foi feita pelo médico assistente. O desfecho utilizado foi a falha terapêutica, definida como necessidade de internação após desospitalização, ou troca do antimicrobiano.

Resultados:  497 pacientes foram analisados. As taxas de falha foram 21,1% dos 185 pacientes que receberam VO, 27,2% daqueles 81 que receberam a primeira dose EV e continuaram o tratamento por via oral e 17,7% de 231 pacientes que mantiveram todo o tratamento por via EV.opatc Os esquemas utilizados foram diversos, mas todos forneciam cobertura apropriada para estreptococos e estafilococos (por exemplo, nenhum caso de tratamento em monoterapia com ciprofloxacina ou aminoglicosídeo, Continuar lendo

Espondilodiscite tuberculosa: diagnóstico

Artigo: Differential diagnosis between tuberculous spondylodiscitis and pyogenic spontaneous spondylodiscitis: a multicenter descriptive and comparative study

Autores: Young K. Yoon,  Yu M. Jo e mais

Local:  Korea

Fonte: Spine J. 2015 Aug 1;15(8):1764-71

O estudo:  A espondilodiscite  engloba osteomielite, discite e espondilite. Seu diagnóstico é difícil, especialmente porque a realização de biópsia traz riscos e sua sensibilidade varia de 43-90%, sem contar a demora para crescimento em culturas. Os autores procuraram critérios clínicos e laboratoriais para diferenciar inicialmente – sem a necessidade de recursos mais complexos – casos com provável diagnóstico de espondilodiscite tuberculosa. Continuar lendo