Artigo: Value of bacterial culture of vaginal swabs in diagnosis of vaginal infections
Autores: Dane Nenadić, Miloš D. Pavlović
Local: Eslovênia
Fonte: Vojnosanit Pregl 2015; 72(6): 523–528
O estudo: Os autores coletaram swabs vaginais e secreções de 505 gestantes assintomáticas entre a 24a. e 28a. semana de gestação. Compararam com testes mais rápidos: microscopia de fluido vaginal (VFWMM), pH vaginal e teste do KOH a 10%.
Os autores definiram vaginose bacteriana como aquelas que possuíam à microscopia predomínio de pequenas formas bacterianas (SBF), comparado com a quantidade de lactobacilos, sem aumento de polimorfonucleares e pH>4,5 ou KOH positivo. Isto independente de sintomas. A presença de KOH positivo evidenciando fungos e aumento de polimorfonucleares garantiu diagnóstico de candidíase.
Resultados: 469 apresentaram cultura negativa. Das 36 positivas, 24 possuíam os demais testes negativos e foram consideradas assintomáticas. 12 apresentaram microscopia, pH ou KOH positivos e por isto foram consideradas “doentes”. No estudo, tanto o teste do KOH quanto o pH apresentaram maiores valores preditivos negativos e positivos.

Comentários: Ainda hoje vemos com frequência a coleta de culturas de secreções expostas, de superfícies corporais que são naturalmente colonizadas por bactérias. Muitos destes pacientes recebem antimicrobianos desnecessariamente, sujeitando-se a efeitos adversos, ou são encaminhadas para um infectologista, quando nada disto seria necessário. É a típica situação que pode ser resolvida sem trabalho ou tensão.
Este estudo demonstra algo que já é conhecido: a coleta de swabs ou de secreções vaginais para cultivo não possui nem sensibilidade nem especificidade que permitam a tomada de qualquer decisão. A coleta destas culturas não é indicada. Em especial quando não há qualquer sintoma. Podem ser considerados esperados lactobacilos, E. coli e outros gram-negativos, enterococos, e com menos frequência, estreptococos, Staphylococcus epidermidis ou mesmo fungos. Os autores afirmam que mais do que 300 espécies de microrganismos podem ser recuperados destas culturas.
O estudo tem limitações, e sua redação gera dúvidas, especialmente na definição do critério diagnóstico utilizado para infecções em pacientes assintomáticas. O critério para vaginose bacteriana parece claro, mas não o de candidíase. Este pareceu contraditório.
Existe recomendação de tratamento de vaginose bacteriana em pacientes assintomáticos devido ao risco de endometrite e doença inflamatória pélvica, mas não de candidíase assintomática. O achado de Candida sp. nas culturas de pacientes assintomáticas reflete somente colonização, segundo afirmação prévia dos próprios autores, não merecendo rotineiramente tratamento. Neste ponto os resultados do estudo ficam enfraquecidos. Ainda assim, das 36 culturas positivas, em 24 não havia qualquer critério para tratamento. A conclusão dos autores não é diferente: estas culturas não são indicadas. Os achados de agentes colonizantes comuns (lactobacilos, E. coli e outros gram-negativos, enterococos, estreptococos, Staphylococcus epidermidis e fungos) também não são indicativos de necessidade de uso de antimicrobianos.
Marcado:Microbiologia, Vaginites
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