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Haemophilus influenzae não tipável, patógeno emergente

Artigo:  Invasive Disease Caused by Nontypeable Haemophilus influenzae

orange-petri-dish-with-pink-and-green-bacterial-colonies-mdAutores:  Jeroen D. Langereis, Marien I. de Jonge

Local:  Holanda

Fonte:  Emerging Infectious Diseases Vol. 21, No. 10, October 2015

O estudo:  O Haemophyllus influenzae  é uma agente capsulado, e está associado a diversas doenças. O Haemophyllus influenzae  B é causador de doenças invasivas em crianças, incluindo a meningite. Com o advento da vacinação, a incidência deste patógeno foi reduzida. Os autores estudaram a incidência de outras variantes de Haemophyllus influenzae, em especial o não tipável (que causa infecções em pacientes com DPOC ou otite média em crianças),  após a vacinação, para entender a necessidade de estratégias futuras. Os autores sumarizando os estudos de vigilância do Netherlands Reference Laboratory for Bacterial Meningitis num período de 11 anos.

Resultados:  Os autores observaram aumento na incidência de casos de doença invasiva por Haemophyllus influenzae não tipável ou não-B. Continuar lendo

Vacina para hepatite C: será possível?

Artigo: Why is it so difficult to develop a hepatitis C virus preventive vaccine?

5171Autores:C. Zingaretti, R. De Francesco e S. Abrignani

Local: Istituto Nazionale Genetica Molecolare (INGM), Milano, Italy

Fonte:Clin Microbiol Infect 2014; 20 (Suppl. 5): 103–109

A revisão: Apesar dos excelentes resultados dos novos tratamentos para a Hepatite C, a disponibilização da vacina seria uma grande evolução. Esta revisão procura elucidar por que é tão difícil desenvolver uma vacina para este vírus, e quais seriam as perspectivas.

O vírus

O HCV é um flavivírus que possui duas proteínas estruturais e 8 não estruturais. Ele é altamente variável por duas razões: alta taxa de replicação e a presença de uma RNA-polimerase que não possui mecanismo de correção de transcrição.

A vacina é factível?

Em primeiro lugar é importante saber que o organismo consegue desenvolver defesas contra o vírus e 20-35% apresentam clareamento da infecção espontaneamente. Continuar lendo

Surtos de Caxumba apesar da vacinação

Apesar das campanhas vacinais e altas taxas de cobertura, não é infrequente o diagnóstico de Parotidite causada pelo vírus da Caxumba, assim como a observação de surtos, especialmente em jovens e adultos jovens. Curiosamente, alguns destes surtos ocorreram em populações altamente vacinadas. O que explica?

Eficácia da vacina

4213mumps1Existem dois benefícios da vacinação: a proteção direta do vacinado, e a proteção através da imunidade de rebanho que, por mecanismos distintos, diminui a circulação do vírus reduzindo, a depender do grau de cobertura, a transmissão de forma mais ou menos intensa.

No caso do vírus da Caxumba, existem dois tópicos a serem abordados:

a) O diagnóstico da Caxumba muitas vezes é imperfeito. A Caxumba não é a única causa de Parotidite, e Continuar lendo

A vacina anti-pneumocócica protege contra o carreamento nasofaríngeo da bactéria?

Artigo:  The Efficacy and Duration of Protection of Pneumococcal Conjugate Vaccines Against Nasopharyngeal Carriage

Autores:  Olivier Le Polain De Waroux, Stefan Flasche, David Prieto-Merino, David Goldblatt, MBChB, e W. John Edmunds

Local: Centre for the Mathematical Modelling of Infectious Diseases, Department of Infectious Disease Epidemiology, London School of Hygiene and Tropical Medicine;

Fonte:  Pediatr Infect Dis J 2015;34:858–864

O estudo:  Neste estudo utilizando a metodologia de meta-regressão, foram incluídos publicações com os seguintes critérios: (i) Metodologia intervencional (ii) Análise de taxa de portadores nasofaríngeos nos grupos vacinados e controle (iii) crianças vacinadas nos esquemas de 3 doses ou 2 doses + reforço. As vacinas avaliadas foram a 7-, 9- e 11-valente.download (1)

Resultados:   Foram avaliados 22 estudos, num total de 14298 crianças. A proteção em 6 meses foi de 57% (IC95%: 50–65%), variando por sorotipo (de 38% a 80%). A longo prazo, cinco anos, também foi observada proteção – 42% (IC95% 19–54%).

Comentários:   O carreamento nasofaríngeo do pneumococo é importante por duas razões: a) O carreamento antecede o adoecimento; b) o carreamento nasofaríngeo é responsável pela transmissão, e portanto, pela imunidade coletiva (herd immunity). Os resultados positivos deste estudo são importantes, apesar das possíveis deficiências (como toda “metaanálise”, dificuldade de padronização, falta de padronização de desfechos e falta de informação sobre outras vacinas). A principal informação clínica é entender que a vacina também tem valor epidemiológico, reduzindo transmissão da bactéria.

Três pontos sobre a vacina da dengue

Após anos de espera, chega uma vacina para dengue. Para melhor compreendê-la, algunas tópicos são importantes para discussão.

 

 

Quatro sorotipos e diversidade: uma vacina?

Os flavivírus em geral são vírus estáveis do ponto de vista genético. Dentre eles, o vírus da dengue é o que mais apresenta variabilidade. Há uma divergência de aproximadamente 40% entre as sequências de aminoácidos dentre os sorotipo, e cerca de 9% de mismatch dentre cada um dos sorotipos. Esta variabilidade prejudicaria o desempenho da vacina?

Uma parte da compreensão (ainda incompleta) deste assunto está na identificação da resposta induzida pela vacina, em particular daquela feitas a partir de vírus vivos atenuados. Existe uma resposta de anticorpos após imunização, em maior quantidade contra prM e NS1, mas estes anticorpos são não neutralizantes.  Há também estímulo à produção de anticorpos contra a proteína E, estes, sim, neutralizantes. O curioso é que, em ensaios clínicos, percebe-se alguma dissociação entre a produção de anticorpos e a proteção cínica e a soroconversão.  O papel da células T no Continuar lendo

Preparando pacientes para o uso de imunobiológicos

Artigo: A guide to preparation of patients with inflammatory bowel diseases for anti-TNF-a therapy


Autores
:  Júlio Maria Fonseca Chebli,  Pedro Duarte Gaburri, Liliana Andrade Chebli, Tarsila Campanha da Rocha Ribeiro, André Luiz Tavares Pinto, Orlando Ambrogini Júnior e Adérson Omar Mourão Cintra Damião

Local:  Division of Gastroenterology, Inflammatory Bowel Disease Center, Federal University of Juiz de Fora, Juiz de Fora, Brazil; Division of Gastroenterology, Federal University of São Paulo (UNIFESP), School of Medicine, São Paulo, Brazil, Laboratory of Medical Investigation (LIM 07), University of São, Paulo Medical School, Hospital das Clínicas, São Paulo, Brazil

Fonte:  Med Sci Monit, 2014; 20: 487-498

5149398656_ec327ba69d_o.2e16d0ba.fill-48x48_esgINbTO guideline:  Trata-se de uma revisão sistemática que procura concluir e sistematizar a triagem infecciosa em pacientes que serão submetidos ao uso de imunobiológicos. Resumidamente, destacam-se:

Tuberculose

A tuberculose é a doença mais associada ao uso de imunobiológicos, especialmente aqueles anti-TNF. Este é um problema ainda mais sério no Brasil, país de alta incidência da doença. Por isto, a triagem e tratamento da infecção latente devem preceder o uso dos imunobiológicos. Além dos dados clínicos, são recomendados o PPD e um dos novos testes (IGRA), incluindo o quantiferon. A conduta, basicamente o tratamento da infecção latente com isoniazida, pode ser vista na figura.

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HBV

A hepatite B pode ser exacerbada com uso de imunobiológicos. A sorologia deve preceder seu uso. Os soronegativos devem ter o esquema completo da vacina administrado antes do uso do imunobiológico. Para os vacinados, recomenda-se que estejam com títulos de anticorpos >10U para proteção. Se os títulos forem inferiores, é recomendado um reforço vacinal. Os HBsAg positivo devem ter esquema antiviral iniciado uma a três semanas antes do uso do imunobiológico. Os autores recomendam tenofovir+entecavir devido ao menor impacto na resistência.

HCV

Os autores relatam que a coexistência do HCV com terapia com imunobiológicos é infrequente. No momento da publicação do guideline, os novos esquemas, hoje padronizados, ainda não estavam disponíveis. A experiência dos infectologistas mostra que a coexistência de imunodepressão com infecção pelo HCV mostra grande aumento de risco de doença hepática. Por esta razão, as novidades que aconteceram após a publicação, seria necessária uma atualização do guideline neste tópico específico, analisando o tratamento prévio com a terapia interferon-free.

HIV

A pesquisa da soropositividade para HIV é recomendada. Para os soropositivos, os autores afirmam que é seguro o uso de imunobiológicos em pacientes em supressão viral. Cabe lembrar que após os resultados do estudo START em 2015, a indicação de início de antirretrovirais foi alargado, favorecendo o uso nesta população específica.

VACINAÇÂO

Os autores recomendam a pesquisa do histórico vacinal e mostraram referência às recomendações do IDSA para vacinação em imunodeprimidos. As vacinas abordadas com maior ênfase são: varicela-zoster e influenza.

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