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Fracionamento da vacina da Febre Amarela

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No início de 2018 o Brasil resolveu adotar a imunização para Febre Amarela utilizando doses fracionadas. É uma estratégia segura?

A Organização Mundial de Saúde tem uma posição bem clara sobre o assunto, disponível em seu site.

Resumidamente, os pontos mais importantes são: Continuar lendo

Síndrome autoimune/inflammatória induzida por adjuvantes (ASIA)

Artigos:  1) Watad, A e mais – Autoimmune/inflammatory syndrome induced by adjuvants (Shoenfeld’s syndrome) – An update.immune-system_77638954 Lupus 2017; 1: 1-7

2) Carlo Perricon – Autoimmune/inflammatory syndrome induced by adjuvants (ASIA) 2013: Unveiling the pathogenic, clinical and diagnostic aspects.  Journal of Autoimmunity 47 (2013) 116 .

Estas revisões sintetizam dados clínicos sobre uma síndrome nova, descrita em 2011: a Síndrome autoimune/ inflamatória induzida por adjuvantes  (Autoimmune/inflammatory syndrome induced by adjuvants -ASIA). É uma condição sistêmica, caracterizada por cinco condições imunomediadas, desencadeadas por Continuar lendo

Vacina para o Herpes Zoster em idosos

Artigo: Efficacy of the Herpes Zoster Subunit Vaccine in Adults 70 Years of Age or Older

Autores: Anthony L. Cunningham e o ZOE-70 Study Groupimmunodeficiency-disorders

Local: Multicêntrico, centralizado nos Estados Unidos

FonteN Engl J Med 2016; 375:1019-1032

Estudo: O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da vacina para o Herpes Zoster em idosos >70 anos, onde a incidência da doença sobe de  2,0 a 4,.6 casos por 1000 pessoa-anos para 10,0 a 12,8 por 1000 pessoa-anos. O ZOE-50 e oZOE-70 foram dois estudos fase 3 realizado em países de vários continentes desenhados para avaliar a eficácia desta nova vacina, composta  por 50 μg de glicoproteína E recombinante do Vírus do Herpes Zoster (VHZ) e o sistema adjuvante AS01B baseado em lipossomos. Os desfechos estudados foram proteção contra a doença, e contra a neuralgia pós-herpética. O comparador foi placebo. Esta publicação é a análise do subgrupo de pacientes com>70 anos incluídos nos dois ensaios clínicos. Os pacientes foram pareados na proporção 1:1.

Resultados: A vacina teve eficácia de 89,8% na proteção contra o Herpes Zoster nos Continuar lendo

Coqueluche na infância

Artigo: Pertussis in infants: an underestimated disease

Autores: Anna Chiara Vittucci e maisfm-pertussis-2-5-300x274

Local: Roma, Itália

Fonte:  BMC Infectious Diseases (2016) 16:414

Estudo: Os autores analisaram crianças<90 dias de idade, hospitalizadas com quadro respiratório agudo diagnosticado entre 2011 e 2013 que realizaram não somente painel de vírus respiratório, mas PCR para Bordetella pertussis.

Resultados: De 215 pacientes analisados, 53 (24,7%) Continuar lendo

A controvérsia do BCG

Artigo: Protection by BCG Vaccine Against Tuberculosis: A Systematic Review of
Randomized Controlled Trialstudo-sobre-a-vacina-bcg

Autores:Punam Mangtani e mais

Local: Inglaterra

Fonte: Clinical Infectious Diseases 2014;58(4):470–80

Estudo: Os autores revisaram sistematicamente estudos abordando a eficácia da BCG, procurando anotar as principais variáveis clinico-microbiológicas. Uma série de viés foi trabalhada, em particular o efeito da escara do BCG sobre o observador, no sentido de se tentar homogeneizar os estudos.Além disto, o tempo e forma de seguimento, as características do país do estudo e da própria cepa do Bacilo de Calmette-Guerin apresentaram variações de difícil controle.

Resultados: De 21030 títulos selecionados, remanesceram 21 estudos, 18 Continuar lendo

Pneumococo sorotipo 20 no Brasil: além da vacina

Artigo: Characteristics of serogroup 20 S.pneumoniae isolates from Brazil

1Autores: Juliana Caierão e mais

Local: UFRS, Brasil

Fonte: BMC Infectious Diseases (2016) 16:418

Estudo: Os autores analisaram o perfil clínico, microbiológico  e epidemiológico de isolados de Streptococcus pneumoniae sorotipo 20 em pacientes com infecções pneumocócicas de 2007 a 2012. O pneumococo sorotipo 20 não está presente em nenhuma das vacinas disponíveis. O genótipo da bactéria foi estudado por PFGE e MLST.

Resultados: 358 pneumococos foram Continuar lendo

Vacina da febre amarela: duração da proteção

ArtigoA Single 17D Yellow Fever Vaccination Provides Lifelong Immunity; Characterization of Yellow-Fever-Specific Neutralizing Antibody and T-Cell Responses after Vaccination

hpv-vacinaAutoresRosanne W. Wieten  e mais

Local: Holanda

FontePLoS ONE 11(3): e0149871.

Estudo: Em julho de 2016 a OMS alterou suas recomendações sobre a vacinação da febre amarela, não recomendando mais reforços a cada 10 anos. Uma única dose teria a capcidade de conferir proteção por toda a vida. Vários estudos foram utilizados para embasar esta decisão. Os títulos de anticorpos neutralizantes decaem durante a vida, mas podem permanecer detectáveis por 30 a 35 anos. Como a doença não é Continuar lendo

Imunização para Estreptococo do Grupo B

Artigo: Group B streptococcus vaccination in pregnant women with or without HIV in Africa: a non-randomised phase 2, open-label, multicentre trial

antibodyAutores: Robert S Heyderman e mais

Local: Malawi, África do Sul, Itália, EUA e Inglaterra

Fonte:Lancet Infect Dis 2016; 16: 546–55

O estudo:Estudo de fase 2 visando avaliar imunogenicidade e segurança da vacina para estreptococos do grupo B (GBS-Vac) em gestantes de acordo com estado sorológico para o HIV. A vacina contém polissacarídeos dos sorotipos Ia, Ib, e III, administrada por via intramuscular entre a 24a. e 35a. semana de gestação. O desfecho primário foi a transferência de anticorpos para o recém-nascido (RN). O objetivo secundário foi a detecção de anticorpos na mãe.

Resultados: De 270 gestantes incluídas, completaram o estudo 87 no grupo HIV+CD4, baixo, 84 no grupo HIV+CD4 alto e no 83 grupo HIV-. Dentre os recém nascidos, foram analisados 87 no grupo HIV+CD4, baixo, 85 no grupo HIV+CD4 alto e no 84 grupo HIV-. As concentrações de anticorpos específicos nos RN nascidos de mães soronegativas foram significativamente maiores do que as nascidas de soropositivas: Continuar lendo

A vacina da Dengue e a OMS

A primeira vacina contra a Dengue foi autorizada para uso clínico no Brasil no primeiro oms-450x392semestre de 2016. A vacina tem eficácia em adultos e algumas fragilidades, especialmente em crianças, que limita o seu uso abrangente para toda a população.

Em Julho de 2016 a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou seu posicionamento com relação à vacina. Alguns pontos devem ser destacados:

  • A dengue é uma infecção clinicamente relevante, com impacto individual e econômico para nações, com grande crescimento de casos entre 1996 e 2015. Neste último ano foram relatados 3,2 milhões de casos à OMS, o que certamente sofre de um importante grau de subnotificação devido às dificuldades diagnósticas e de vigilância da doença em países com características bastante discrepantes.
  • A infecção pelo vírus da dengue confere imunidade contra o sorotipo específico. Os anticorpos produzidos contra este sorotipo transitoriamente podem proteger contra os demais sorotipos, no entanto, com o tempo, estes anticorpos, com ação não-neutralizante, fazem com que a infecção por vírus de outros sorotipos tenham acesso a células dendríticas e macrófagos – local primário de infecção pelo vírus da Dengue – facilitando a sua replicação. Este fenômeno, a amplificação dependente de anticorpos (ADE – Antibody Dependent Enhacement) tem relação com o risco de Dengue grave a partir do segundo episódio de infecção e com o fracasso de vacinas antes testadas.

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Cicatriz da BCG: algo a ser visto

Artigo:  Development of BCG Scar and Subsequent Morbidity and Mortality in Rural Guinea-Bissau

tuberculosis-01Autores: Line Storgaard, Amabelia Rodrigues e mais

Local:  Guine-Bissau e University of Southern Denmark/Odense University Hospital

Fonte:  Clinical Infectious Diseases 2015;61(6):950–9

O estudo:  Os autores avaliaram através de visitas semestrais 18048 cranças que desenvolveram cicatriz da vacina BCG e 16402 que não desenvolveram. As crianças foram acompanhadas até o quinto ano de vida. Continuar lendo