Arquivo da tag: Infecções hospitalares

Taxa de ocupação e disseminação de bactérias resistentes

Artigo: Epidemiology meets econometrics: using time-series analysis to observe the
impact of bed occupancy rates on the spread of multidrug-resistant bacteria

Sem título.pngAutoresK. Kaier, E. Meyer, M. Dettenkofer, U. Frank

Local: Freiburg e Berlim, Alemanha

FonteJournal of Hospital Infection 76 (2010) 108e113

Estudo: Em geral damos um valor muito grande à higienização das mãos e controle de antimicrobianos como medidas eficazes para o controle da disseminação de bactérias multirresistentes (MDR). Frequentemente fracassamos. Em parte porque a adesão de profissionais de saúde é difícil. Em parte porque falta algo na equação. O que falta em geral é uma questão administrativa, muito Continuar lendo

Fosfomicina, mais um Renascido das Cinzas

ArtigoIntravenous fosfomycin – Back to the future. Systematic review and meta-analysis of the clinical literature

fosfomicinaAutoresB. Grabein, W. Graninger, J. Rodríguez Baño, A. Dinh, D.B. Liesenfeld

LocalEspanha, França, Alemanha, Austria

Fonte:  Clinical Microbiology and Infection (2017), doi: 10.1016/j.cmi.2016.12.005.

Estudo: Revisão sistemática sobre uso endovenoso de fosfomicina, sendo baseada em
128 estudos, que estudaram 5527 pacientes.

Resultados: Os estudos abordaram infecções graves: septicemia, meningite, osteomielite, infecções em UTI neonatal, infecções em pacientes com cancer. 14 estudos abordaram pacientes com infecções causadas por agentes resistentes à terapia usual. A dose diária prescrita para adultos variou de Continuar lendo

Resistência bacteriana e Infecção Hospitalar

Programa sobre resistência bacteriana

Descolonização e infecções da corrente sanguínea

Artigo: Closing the Translation Gap: Toolkit-based Implementation of Universal  decolonization in Adult Intensive Care Units Reduces Central Line–associated
Bloodstream Infections in 95 Community Hospitals

C_Diff_InfectionAutores:Edward Septimus e mais

Local: 95 centros nos Estados Unidos

Fonte: Clinical Infectious Diseases 2016;63(2):172–7

Estudo: A descolonização, entendida como uso de antimicrobianos, especialmente por via tópica para eliminação ou redução da colonização por bactérias resistentes, foi durante muitos anos uma estratégia controversa, devido à dificuldade de se descolonizar todos os sítios corporais e pelo potencial de desenvolvimento de resistência. Este é o maior estudo publicado analisando a relação entre descolonização e um desfecho clínico de grande importância – as infecções de corrente sanguínea (BSI). Participaram 136 UTIs de 95 hospitais. Foi realizada descolonização universal, não dependente de culturas, em todos os pacientes, com mupirocina a 10%, por via intranasal duas vezes por dia por cinco dias.

Resultados: Os resultados mostram uma importante redução na ocorrência de BSI após a implementação do protocolo.

bv1.pngA redução foi observada não somente para gram-positivos, mas também para Continuar lendo

Precauções de contato para agentes multirresistentes (MDR): benefício ou mito?

Artigo:  Effectiveness of contact precautions against multidrugresistant organism transmission in acute care: a systematic review of the literature

Autores: C.C. Cohen, B. Cohen, J. Shangprecaucion

Local:  Columbia University School of Nursing, New York

Fonte:  Journal of Hospital Infection 90 (2015): 275-284

O estudo:  Meta-análise avaliando a efetividade das precauções de contato na prevenção de disseminação dos MDR. Foram incluídos artigos avaliando agentes multirresistentes (senso amplo) e precauções de contato.

Resultados:  De 284 estudos selecionados, somente 6 eram minimamente avaliáveis. Todos Continuar lendo

Eventos adversos relacionados às precauções de contato

Artigo:  Impact of contact precautions on falls, pressure ulcers and transmission of MRSA and VRE in hospitalized patients

Autores: S. Gandra a, C.M. Barysauskas, D.A. Mack, B. Barton, R. Finberg, R.T. Ellison III

Local:  Massachusetts

Fonte:  Journal of Hospital Infection 88 (2014) 170e176

O estudo:  Comparativo, analisando os indicadores: quedas e úlceras de pressão em portadores e não portadores de MRSA/VRE. Os dados foram ajustados por gravidade.O estudo também analisou (embora não fosse o objetivo principal) a taxa de colonização pelos agentes citados.

Resultados:  Foi observada uma queda progressiva na colonização, que não pode ser atribuída somente às precauções, porque foi implementado um pacote, incluindo conscientização. Esta conscientização Continuar lendo

Precauções de contato para MRSA: tirando o avental

Artigo:  Degowning the controversies of contact precautions for methicillin-resistant Staphylococcus aureus: A review

Autores:  Ravina Kullar,Angela Vassallo, Teena Chopra, Keith S. Kaye, Sorabh Dhar

Local:  EUA

Fonte:  American Journal of Infection Control 44 (2016) 97-103

A revisão: O artigo é uma revisão sistemática sobre a efetividade das precauções de contato sobre a colonização por MRSA.

Efeitos sobre a colonização por MRSA e desfechos em pacientes com precauções de contato

Os autores afirmaram que há evidência da efetividade em situações de surtos ou de alta adesão), mas criticaram os resultados, dizendo que durante um surto as precauções de contato não são as únicas intervenções (ou variáveis) potencialmente determinantes de resolução. Em situações de ‘normalidade’, ou seja, Continuar lendo

Prevenção “natural” da infecção urinária pós-operatória

Artigo:  Cranberry juice capsules and urinary tract infection after surgery: results of a randomized trial

Autores:  Betsy Foxman, Anna E. W. Cronenwett, Cathie Spino, Mitchell B. Berger, Daniel M. Morgan

Local:  University of Michigan School of Medicine

Fonte:  Am J Obstet Gynecol 2015;213:194.e1-8.

O estudo:  Os autores realizaram um estudo de intervenção, randomizado, comparando a incidência de infecção urinária após cirurgia ginecológica. Pacientes foram alocados no grupo teste (1 cápsula de cranberries a cada 12h por 4-6 semanas ou placebo). O desfecho foi o diagnóstico clínico de ITU, com ou sem cultura positiva. Os pacientes foram orientados a não tomar sucos de cranberries ou complementos de vitamina C durante o estudo.

Resultados:  76 mulheres completaram o estudo no grupo teste e 74 no grupo placebo. Os itu cranresultados mostraram menor incidência e maior tempo para adoecimento nas pacientes submetidas ao suco de cranberries. Continuar lendo

Racionalização de antimicrobianos sem médico infectologista: solução ou pesadelo?

Artigo:  Pharmacist-driven antimicrobial stewardship program in an institution without infectious diseases physician support

Autores:  C. Dustin Waters

Local:  Infectious Diseases Clinical Pharmacist, Intermountain Healthcare, McKay-Dee Hospital, Ogden, UT

Fonte:  Am J Health-Syst Pharm. 2015; 72:466-8

O estudo:  O autor relata a experiência de racionalização de antimicrobianos onde “não se consegue” a atuação de um infectologista. Onde “é escassa” a presença do mesmo. Seu hospital possui 325 leitos. O farmacêutico estava disponível para discussão 16 horas/dia, 7dias/semana. Ele revisava todas as prescrições de antimicrobianos, procurando indicação, deescalonamento, duração. Não havia sistema informatizado nem protocolo.

Resultados:  Do ponto de vista de consumo de antimicrobianos (sem avaliar sucesso clínico, resistência, etc).

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Comentários: O trabalho em CCIH, ainda mais como médico infectologista, sempre foi difícil e neste momento passa por um período de forte pressão por esvaziamento. Mesmo com o papel mais relevante do controle de infecção nos programas de acreditação. Tudo porque as instâncias superiores (a maioria, mas não todas) não acreditam no custo-benefício do programa. Sempre houve pressão para que a CCIH, e em especial o médico, assumissem outras funções (Gestão de leitos, epidemiologia hospitalar, hotelaria, resíduos, e mais recentemente qualidade, gestão de riscos ou segurança do paciente). Não que seja proibida a coexistência de funções, mas frequentemente é uma forma de economia, com sobrecarga e dificuldade de realização plena da atividade de controle de infecção, tida como menos relevante para boa parte dos gestores. A maior parte dos projetos de segurança do paciente usam os dados do controle de infecção para promoção de “seus méritos”. Mas existem especificidades, e a principal é a racionalização de antimicrobianos.

O uso de protocolos não supervisionado por médico infectologista leva a resultados de gestão aparentemente bons. Redução de consumo, de custos, bela vista para as acreditadoras. Resultados reais, a presença de farmacêutico e enfermeiro no programa agregam muita qualidade. O problema é sua participação sem a discussão com o médico infectologista. Os resultados existem, mas a que custo?

  1. O infectologista é capaz de perceber, em conjunto com o médico assistente, as variações do caso, especialmente os mais graves.
  2. O infectologista é capaz de individualizar o tratamento de forma mais apropriada.
  3. A avaliação de consumo sem uma análise médica tem o potencial de gerar tratamentos equivocados e seus riscos.
  4. O canal de discussão de médico para médico é mais fácil.

Mas alguns pressupostos são necessários para que o papel do médico infectologista esteja mais claro e resolvido.

  1. Deve ser resolvido desde o início os papéis (divisão ou não) do trabalho do infectologista clínico e do controlador de infecção.
  2. A prioridade do trabalho do infectologista clínico é a infecção complicada, especialmente em UTI e transplantes, onde é mais justificável o uso de antimicrobianos de maior espectro (maior gravidade, maior risco de resistência). O impacto da ação do controlador de infecção é menor. A intervenção visando a redução de uso de “antibióticos indutores” e aumento de “antibióticos protetores” não tem embasamento sólido, o maior benefício é a redução de diagnósticos imprecisos e melhoria na duração da terapia.
  3. O controlador de infecção deve gastar mais tempo onde hoje menos atua: nas infecções comunitárias. O impacto sobre a resistência será maior: não usar amplo espectro para infecções sem risco de resistência, diminuir antibioticoterapia para sintomas inespecíficos e infecções virais, reduzir tempo de tratamento. A utilização de protocolos gerenciados, que podem e devem contar com a participação de enfermeiros e farmacêuticos, mas com o acompanhamento e discussão por médico infectologista é um excelente caminho. Protocolos como ferramenta, não como engrenagem automática, como hoje se faz.

Temos que nos acostumar a reivindicar qualidade, e ter um médico infectologista no programa significa qualidade. Oficialmente aceitar a deficiência é favorecer a inação e a falta de vontade dos gestores, sejam eles públicos ou privados.

 

Novo Guideline da IDSA sobre Candidíase

idsa

Artigo: Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America

Autores: Peter G. Pappas,Carol A. Kauffman, David R. Andes, Cornelius J. Clancy, Kieren A. Marr, Luis Ostrosky-Zeichner, Annette C. Reboli, Mindy G. Schuster, Jose A. Vazquez, Thomas J. Walsh,Theoklis E. Zaoutis, e Jack D. Sobel

Link: http://cid.oxfordjournals.org/content/early/2015/12/15/cid.civ933.full.pdf

Fonte: Clin Infect Dis. 2015 Dec 16. pii: civ933. [Epub ahead of print]

O estudo: Novo guideline da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas

Pontos críticos:

Candidemia em pacientes não-neutropênicos

1. Droga de escolha: equinocandina
2. Um azole é alternativa para pacientes não-críticos, sem fatores de risco para resistência
3. Deescalonamento de uma equinocandina para um azole pode ser feito quando o paciente estiver estável, com culturas negativas e o isolado for sensível ao fluconazol
4. Para C. glabrata, esta transição só pode ser cogitada (fluconazol em doses altas ou voriconazol) se o fungo for sensível Continuar lendo