Arquivo da categoria: Vacinas

Cicatriz da BCG: algo a ser visto

Artigo:  Development of BCG Scar and Subsequent Morbidity and Mortality in Rural Guinea-Bissau

tuberculosis-01Autores: Line Storgaard, Amabelia Rodrigues e mais

Local:  Guine-Bissau e University of Southern Denmark/Odense University Hospital

Fonte:  Clinical Infectious Diseases 2015;61(6):950–9

O estudo:  Os autores avaliaram através de visitas semestrais 18048 cranças que desenvolveram cicatriz da vacina BCG e 16402 que não desenvolveram. As crianças foram acompanhadas até o quinto ano de vida. Continuar lendo

Haemophilus influenzae não tipável, patógeno emergente

Artigo:  Invasive Disease Caused by Nontypeable Haemophilus influenzae

orange-petri-dish-with-pink-and-green-bacterial-colonies-mdAutores:  Jeroen D. Langereis, Marien I. de Jonge

Local:  Holanda

Fonte:  Emerging Infectious Diseases Vol. 21, No. 10, October 2015

O estudo:  O Haemophyllus influenzae  é uma agente capsulado, e está associado a diversas doenças. O Haemophyllus influenzae  B é causador de doenças invasivas em crianças, incluindo a meningite. Com o advento da vacinação, a incidência deste patógeno foi reduzida. Os autores estudaram a incidência de outras variantes de Haemophyllus influenzae, em especial o não tipável (que causa infecções em pacientes com DPOC ou otite média em crianças),  após a vacinação, para entender a necessidade de estratégias futuras. Os autores sumarizando os estudos de vigilância do Netherlands Reference Laboratory for Bacterial Meningitis num período de 11 anos.

Resultados:  Os autores observaram aumento na incidência de casos de doença invasiva por Haemophyllus influenzae não tipável ou não-B. Continuar lendo

Vacina para hepatite C: será possível?

Artigo: Why is it so difficult to develop a hepatitis C virus preventive vaccine?

5171Autores:C. Zingaretti, R. De Francesco e S. Abrignani

Local: Istituto Nazionale Genetica Molecolare (INGM), Milano, Italy

Fonte:Clin Microbiol Infect 2014; 20 (Suppl. 5): 103–109

A revisão: Apesar dos excelentes resultados dos novos tratamentos para a Hepatite C, a disponibilização da vacina seria uma grande evolução. Esta revisão procura elucidar por que é tão difícil desenvolver uma vacina para este vírus, e quais seriam as perspectivas.

O vírus

O HCV é um flavivírus que possui duas proteínas estruturais e 8 não estruturais. Ele é altamente variável por duas razões: alta taxa de replicação e a presença de uma RNA-polimerase que não possui mecanismo de correção de transcrição.

A vacina é factível?

Em primeiro lugar é importante saber que o organismo consegue desenvolver defesas contra o vírus e 20-35% apresentam clareamento da infecção espontaneamente. Continuar lendo

Surtos de Caxumba apesar da vacinação

Apesar das campanhas vacinais e altas taxas de cobertura, não é infrequente o diagnóstico de Parotidite causada pelo vírus da Caxumba, assim como a observação de surtos, especialmente em jovens e adultos jovens. Curiosamente, alguns destes surtos ocorreram em populações altamente vacinadas. O que explica?

Eficácia da vacina

4213mumps1Existem dois benefícios da vacinação: a proteção direta do vacinado, e a proteção através da imunidade de rebanho que, por mecanismos distintos, diminui a circulação do vírus reduzindo, a depender do grau de cobertura, a transmissão de forma mais ou menos intensa.

No caso do vírus da Caxumba, existem dois tópicos a serem abordados:

a) O diagnóstico da Caxumba muitas vezes é imperfeito. A Caxumba não é a única causa de Parotidite, e Continuar lendo

Rotavírus: Status sorológico materno e resultados da imunização

Artigo:  Prevaccination Rotavirus Serum IgG and IgA Are Associated With Lower Immunogenicity of Live, Oral Human Rotavirus Vaccine in South African Infants.

Autores:  Sung-Sil Moon, Michelle J. Groome, e mais

Local:  África do Sul e CDC

Fonte:  Clinical Infectious Diseases 2016;62(2):157–65

antibodyO estudo:  A vacina para rotavírus possui eficácia na América do Norte e Europa variando de 85 a 98%. Já nos países com menos recursos da Ásia, África e América Latina as cifras variam de 40 a 70%. Buscando tentar compreender esta diferença, os autores selecionaram crianças imunocompetentes que receberam a vacina para rotavírus aos 6 e 14 semanas de idade (juntamente com a vacina pneumocócica). Sangue das crianças para titulação de IgG e  IgA contra rotavírus foi coletado imediatamente antes de cada dose e um mês após a segunda dose. Leite e sangue das mães foram coletados antes de cada dose da vacina para dosagem de IgG e IgA contra rotavírus.

Resultados:  Os autores perceberam que quanto maiores os títulos de IgG séricos pré-imunização, Continuar lendo

A vacina anti-pneumocócica protege contra o carreamento nasofaríngeo da bactéria?

Artigo:  The Efficacy and Duration of Protection of Pneumococcal Conjugate Vaccines Against Nasopharyngeal Carriage

Autores:  Olivier Le Polain De Waroux, Stefan Flasche, David Prieto-Merino, David Goldblatt, MBChB, e W. John Edmunds

Local: Centre for the Mathematical Modelling of Infectious Diseases, Department of Infectious Disease Epidemiology, London School of Hygiene and Tropical Medicine;

Fonte:  Pediatr Infect Dis J 2015;34:858–864

O estudo:  Neste estudo utilizando a metodologia de meta-regressão, foram incluídos publicações com os seguintes critérios: (i) Metodologia intervencional (ii) Análise de taxa de portadores nasofaríngeos nos grupos vacinados e controle (iii) crianças vacinadas nos esquemas de 3 doses ou 2 doses + reforço. As vacinas avaliadas foram a 7-, 9- e 11-valente.download (1)

Resultados:   Foram avaliados 22 estudos, num total de 14298 crianças. A proteção em 6 meses foi de 57% (IC95%: 50–65%), variando por sorotipo (de 38% a 80%). A longo prazo, cinco anos, também foi observada proteção – 42% (IC95% 19–54%).

Comentários:   O carreamento nasofaríngeo do pneumococo é importante por duas razões: a) O carreamento antecede o adoecimento; b) o carreamento nasofaríngeo é responsável pela transmissão, e portanto, pela imunidade coletiva (herd immunity). Os resultados positivos deste estudo são importantes, apesar das possíveis deficiências (como toda “metaanálise”, dificuldade de padronização, falta de padronização de desfechos e falta de informação sobre outras vacinas). A principal informação clínica é entender que a vacina também tem valor epidemiológico, reduzindo transmissão da bactéria.

Três pontos sobre a vacina da dengue

Após anos de espera, chega uma vacina para dengue. Para melhor compreendê-la, algunas tópicos são importantes para discussão.

 

 

Quatro sorotipos e diversidade: uma vacina?

Os flavivírus em geral são vírus estáveis do ponto de vista genético. Dentre eles, o vírus da dengue é o que mais apresenta variabilidade. Há uma divergência de aproximadamente 40% entre as sequências de aminoácidos dentre os sorotipo, e cerca de 9% de mismatch dentre cada um dos sorotipos. Esta variabilidade prejudicaria o desempenho da vacina?

Uma parte da compreensão (ainda incompleta) deste assunto está na identificação da resposta induzida pela vacina, em particular daquela feitas a partir de vírus vivos atenuados. Existe uma resposta de anticorpos após imunização, em maior quantidade contra prM e NS1, mas estes anticorpos são não neutralizantes.  Há também estímulo à produção de anticorpos contra a proteína E, estes, sim, neutralizantes. O curioso é que, em ensaios clínicos, percebe-se alguma dissociação entre a produção de anticorpos e a proteção cínica e a soroconversão.  O papel da células T no Continuar lendo

Imunização na gestação: controvérsias e fatos

Artigo: Safety of Immunization during Pregnancy A review of the evidence

Fonte: Global Advisory Committee on VaccineGlobal Advisory Committee on Vaccine Safety – World Health Organization 2014

Link: http://www.who.int/vaccine_safety/publications/safety_pregnancy_nov2014.pdf

Resumo da recomendação e comentários:

Vacinas inativadas
vaccination-whooping-cough_171x200_CPM8TPNão se espera a ocorrência de eventos adversos graves ou malformações relacionados às vacinas inativadas ou toxóides, pela sua própria natureza.
Infuenza
Os riscos de aquisição da influenza (natural) durante a gravidez são grandes. Pneumonia, síndrome de resposta inflamatória sistêmica, aborto, prematuridade. A vacina reduz estes riscos. Estudos realizados com 11,8 milhões de pacientes gestantes mostraram somente 20 episódios de eventos adversos graves, garantindo segurança da vacina.Nenhum  de malformação. O risco relacionado à doença natural é imensamente superior aos riscos potenciais da vacina.
Tétano e meningococo
Estudos mostram ausência de evidência de eventos adversos graves.Em especial a vacina anti-tetânica é a principal responsável pela imensa redução de casos de tétano neonatal.
Vacinas de vírus atenuados
Em geral vacinas de vírus vivos atenuados são evitadas durante a gestação e em pacientes imunodeprimidos, muito mais pelo temor justificado de replicação destes vírus do que por evidências definitivas.
Rubéola e tríplice viral
Os relatos referentes à imunização com este tipo de vacinas na gestação são derivados de administração não programada (inadvertida) em gestantes. O que se conclui com estes estudos é que: a) Os vírus vacinais (sarampo e rubéola) são capazes de atravessar a placenta e infecção assintomática do recém-nascido já foi detectada; b) Relato de mais de 3500 casos de administração inadvertida resultaram em nenhuma malformação ou evento adverso grave. Desta forma, mediante os dados hoje disponíveis, a OMS afirma que os riscos são inexistentes ou muito baixos, e não há justificativa para se pensar em associação direta, muito menos em grandes séries de casos de malformações associadas à imunização.
Vacina da pólio
Nenhuma evidência de infecção fetal nos estudos disponíveis
Febre amarela
Esta é uma vacina que apresenta normalmente um risco bastante pequeno, mas não inexistente, de transformação de cepas vacinais em selvagens.  Os sete estudos disponíveis mostram que os riscos associados à esta vacina são idênticos quando comparamos gestantes e população geral.
Recomendações para imunizações durante a gestação
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