Artigo: Molecular Evidence for the Aerial Route of Infection of Mycobacterium leprae and the Role of Asymptomatic Carriers in the Persistence of Leprosy
Autores: Sergio Araujo, Larissa Oliveira Freitas, Luiz Ricardo Goulart, Isabela Maria Bernardes Goulart
Local: Federal University of Uberlandia, Minas Gerais, Brazil; University of California, Davis
Fonte: Clinical Infectious Diseases 2016;63(11):1412–20
Estudo: O conhecimento da hanseníase ainda tem várias lacunas para serem estudadas. A transmissão e a dinâmica da infecção é um deles. Existe evidência de transmissão interhumana da doença, mas é pouco conhecido o motivo para o longo período de incubação e mesmo o não desenvolvimento de doenças entre inúmeros contactuantes. O presente estudo procurou investigar a transmissão da hanseníase por aerossol através da pesquisa microbiológica de indivíduos não tratados e seus contactuantes. Foram analisados 113 pacientes com hanseníase não tratada entre 2003 e 2015, e 104 contactuantes. Estes foram definidos que viveram com o paciente antes do tratamento, até cinco anos antes do diagnóstico. Além do diagnóstico de hanseníase e teste de Mitsuda, foi procurado DNA bacteriano em amostras de vestíbulo nasal, mucosa nasal e sangue periférico e realizada sorologia – ELISA para detecção do anticorpo contra o antígeno PGL-I .
Resultados: O qPCR para detecção do DNA de M. leprae entre os pacientes foi positivo em 66,4% dos swabs nasais, 71,7% das biópsias nasais, e 19,5% do sangue periférico. A sorologia foi positiva em 62,8% destes.Como esperado, a positividade foi muito menor nos pacientes paucibacilares e forma tuberculoide (TT), com exceção do teste de Mitsuda.

Sete (6,7%) dos contactuantes desenvolveram hanseníase 5 a 7 anos após o início do seguimento. 18% dos contactuantes tinham sorologia positiva no primeiro momento, e mais da metade PCR nas narinas positivo. A sensibilidade e especificidade do PCR e sorologia no início do seguimento, tendo como desfecho o desenvolvimento de hanseníase, está exposto na tabela:

Comentários:Este excelente estudo nos traz alguma luz sobre a epidemiologia da Hanseníase. Em primeiro lugar, ele reforça a ideia de transmissão por aerossois, pois demonstra presença de bactéria nas vias respiratórias de pacientes e contactuantes, demonstrando o maior risco nas formas multibacilares e lepromatosas.
Por outro lado, a investigação de contactuantes através de PCR, sorologia e Mitsuda também foi avaliada. O PCR de amostras nasais e teste de Mitsuda apresentam sensibilidade e especificidade duvidosos. A sorologia tem especificidade um pouco melohor, mas sensibilidade baixa. No entanto, a presença de antígeno em sangue periférico é pouco sensível, mas em caso positivo, o risco de adoecimento é grande.
Marcado:Epidemiologia, Hanseníase, Lepra, Micobacteriose, T
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