Artigo: Predicting the international spread of Middle East respiratory syndrome (MERS)
Autores: Kyeongah Nah
Local: Japão
Fonte: BMC Infectious Diseases (2016) 16:356
Estudo: Nos últimos anos estamos descobrindo a importância das infecções virias, especialmente as respiratórias. Antes as “enxergávamos” como sepse ou pneumonia. O Coronavírus, que foi o responsável pela SARS em 2002 atualmente está envolvvido na MERS (Middle East respiratory syndrome ou Síndrome Respiratória do Oriente Médio). A MERS associada ao coronavírus (MERS-CoV) foi identificada em 2012 em países do Oriente Médio, tendo como reservatório os dromedários. Mas o que preocupa países fora do Oriente Médio é a transmissão inter-humana, alta e bem demonstrada em estudos de disseminação intra-hospitalar. Modelos epidêmicos sugerem risco de transmissão de até 80% dentro de hospitais. Os autores desenvolveram modelo matemático procurando antever o risco de disseminação da MERS-CoV a partir de casos importados.
Resultados: Os autores utilizaram dados referentes à epidemiologia da doença, risco de transmissão e números obtidos a partir da importação de casos de MERS-CoV desde 2012. O mapa divide os países do mundo em quatro cores, de acordo com a distância da Arábia Saudita, onde estão concentrados os casos de MRS-CoV.

O gráfico mostra os países com maior probabilidade de importação/disseminação de casos de MERS-CoV.

Comentários: Apesar de parecer cenário de ficção científica, o conhecimento da ocorrência e de epidemiologia das doenças infecciosas em todo o mundo é importante não somente para o infectologista clínico, mas principalmente para a Vigilância Epidemiológica e Sanitária.
Estamos num mundo onde as distâncias estão abreviadas e a disseminação de doenças facilitadas. Acompanhamos ao vivo a disseminação do Influenza H1N1. Não somente por causa das aves migratórias, problema antigo, mas percebido agora. Voos internacionais, turismo, globalização do comércio aproximaram as pessoas e também os patógenos.
Este tipo de modelo serve para priorizar os níveis de alerta e de preparo do país, não deixar para a última hora o desenvolvimento de medidas de barreira e centros de atendimento. Talvez nosso problema não venha a ser o MERS-CoV, mas certamente estamos num mundo cada vez mais cheio de epidemias.
Marcado:Epidemia, MERS, Pneumonia, SARA, Síndrome respiratória aguda grave, SRAG
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