Artigo: Risk Factors of Endocarditis in Patients With Enterococcus faecalis Bacteremia: External Validation of the NOVA Score.
Autores: Anders Dahl e mais
Local: Dinamarca
Fonte: Clinical Infectious Diseases 2016;63(6):771–5.
Estudo: Os autores resolveram avaliar um escore desenvolvido previamente por Bouza e colaboradores para predição de endocardite em pacientes com bacteremia enterocócica. Alegaram que, ao contrário das infecções estafilocócicas, os riscos associados à bacteremia enterocócica são pouco estudados. Relataram risco variável de 5,7% em pacientes com bacteremia patients com diferentes tipos de enterococos a 13,3% em pacientes com bacteremia monomicrobiana causada pelo E. faecalis. Eles analisaram retrospectivamente registros de pacientes com bacteremia por Enterococcus faecalis em 10 hospitais de Copenhagen. A partir destes dados, procuraram analisar sensibilidade e especificidade do escore NOVA adaptado (Devido ao pequeno número de pacientes com três ou mais hemoculturas coletadas).
Resultados: Foram analisados 647 pacientes, sendo que 78 (12%) tiveram diagnóstico de endocardite e 569 não.

Os principais fatores de risco para endocardite foram doença valvar, incluindo implante, bacteremia monomicrobiana, sexo masculino, endocardite prévia, aquisição comunitária e ausência de foco definido.

A sensibilidade do escore NOVA adaptado foi de 97% e a especificidade de 23%. O valor preditivo positivo encontrado foi 95% e o valor preditivo positivo, 38%.
Comentários: Mais do que tudo este estudo mostra que a coleta de hemoculturas em pacientes com suspeita de quadros sépticos, bacterêmicos ou infecções graves é importante. A presença de hemocultura positiva leva a importantes mudanças no plano terapêutico do paciente. O achado de 12% de risco de endocardite é relevante, indica risco considerável, superior ao observado para outra bactéria antes desmerecida, o estafilococo coagulase-negativa, mas inferior ao observado em Staphylococcus aureus, bactéria que possui uma bagagem de fatores de virulência mair, e grande facilidade para disseminação hematogênica e instalação de focos metastáticos.
Este é um estudo retrospectivo que sofre de diversos problemas, incluindo viés de seleção, heterogeneidade de população, variação no número de hemoculturas indicadas e, principalmente no critério de indicação de ecocardiografia. Os problemas são tão importantes, que os autores fizeram análise à parte de pacientes com ecocardiografia realizada (não relatada neste resumo) para melhor discutir estes dados.
De toda forma o escore, mais um para a nossa prática clínica, parece ser somente uma triagem para indicar pacientes com risco baixo de endocardite, que não necessitam de ecocardiografia. Com especificidade e valor preditivo positivo tão baixos, o uso do escore NOVA para confirmar a presença de endocardite é uma conduta no mínimo temerária.
Escore NOVA adaptado para predição de endocardite em pacientes com bacteremia enterocócica
| Variável | Critérios | Pontos |
| Número de hemoculturas positivas | 3 de 3, ou >50% positivas caso mais do que 3 coletadas | 5 |
| Bacteremia sem origem definida | Sim | 4 |
| Doença valvar prévia | Sim | 2 |
| Ausculta | Presença de sopro | 1 |
Escore com <4 pontos: probabilidade de endocardite muito reduzida. Segundo o artigo, pacientes com 4 ou mais pontos devem ser submetidos a ecocardiografia transesofágica.
Marcado:Bacteremia, Ecocardiografia, Endocardite, Enterococcus, Enterococo, Infecção da corrente sanguínea
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