Espondilodiscite tuberculosa: diagnóstico

Artigo: Differential diagnosis between tuberculous spondylodiscitis and pyogenic spontaneous spondylodiscitis: a multicenter descriptive and comparative study

Autores: Young K. Yoon,  Yu M. Jo e mais

Local:  Korea

Fonte: Spine J. 2015 Aug 1;15(8):1764-71

O estudo:  A espondilodiscite  engloba osteomielite, discite e espondilite. Seu diagnóstico é difícil, especialmente porque a realização de biópsia traz riscos e sua sensibilidade varia de 43-90%, sem contar a demora para crescimento em culturas. Os autores procuraram critérios clínicos e laboratoriais para diferenciar inicialmente – sem a necessidade de recursos mais complexos – casos com provável diagnóstico de espondilodiscite tuberculosa. Tentaram responder esta questão com estudo retrospectivo, multicêntrico, comparando os achados registrados de todos os pacientes tratados como espondilodiscite tuberculosa ou piogênica (exceto as iatrogênicas) nos hospitais participantes. Os pacientes foram acompanhados até o final do tratamento ou óbito.

Resultados:  60 pacientes com doença tuberculosa e 117 com doença piogênica foram incluídos. A mortalidade foi de 5,6%, sendo que a relacionada à espondilodiscite foi de 2,8%. A permanência hospitalar dos pacientes com infecção piogênica foi maior.

Surpreendentemente, muitas características das duas doenças não foram distintivas, incluindo procedimento prévio, presença de meningite e história de tuberculose. Alguns fatores clínicos foram importantes, como tempo de doença, hemograma e PCR.

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Análise mais detalhada dos biomarcadores mostraram sensibilidade e especificidade aquém do desejável. A procalcitonina apresentou desempenho inferior ao da PCR.

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A única variável predisponte associada ao diagnóstico de tuberculose, mas com baixo poder discriminatório, foi a presença de lesões extra-espinhais.

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Na tentativa de criação de um escore que ajude o clínico a diferenciar logo no início da investigação uma suspeita mais forte de doença tuberculosa, os autores encontraram 6 variáveis mais associadas. As associações mais fortes foram encontradas com sexo feminino e leucócitos<9.6000/mm3.

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Comentários: Um trabalho prospectivo analisando infecções osteoarticulares tuberculosas é quase uma utopia. Este estudo é uma das melhores adições à bibliografia, com todas as limitações possíveis. O desempenho do escore na curva ROC foi limitado. Sensibilidade de 80%, especificidade de 87,2%. Sendo mais prático, o valor preditivo positivo foi de 76,2% e o valor preditivo negativo de 89,5%. Valores que não permitem dizer que o escore é definitivo e certeiro. No entanto, o estudo sugere que a pesquisa das seis variáveis encontradas poderão auxiliar o clínico no estabelecimento da terapia empírica mais apropriada.

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